Bruno Belluomini

Black Sun

Kode 9 se esconde com óculos escuros

Com álbum novo na praça, Kode 9 aproveita para falar sobre diversas coisas interessantes…

Kode 9 é um dos caras mais relevantes na história da nova Bass Culture. Ele é conhecido pelo seu pioneirismo na cena Dubstep e pelo seu Hyperdub, selo que pode ser considerado uma das pedras fundamentais do estilo. Em entrevista recente a XLR8R, Steve Goodman – que além de DJ e produtor, também escreve e leciona – falou sobre seu novo álbum Black Sun com Spaceape.

Independência e espírito DIY

Kode 9 diz que ultimamente não tem tempo para cuidar do seu selo. São outras pessoas que tocam o negócio para frente. Mas sua visão passa pelo senso de independência e pelo espírito DIY. “Antes mesmo de dar um feedback sobre a música de alguém, eu digo: faça seu próprio selo, pare de depender dos outros para que gostem do seu som”, revela.

A importância do nome de um gênero sonoro

“O nome de um gênero ajuda esclarecer, comunicar o que é aquilo”, diz. “Acho isso mais importante agora do que nunca porque somos soterrados com bobagens, muita informação e música ruim. Você precisa de filtros. Acho que mais do que nunca você precisa de bons filtros, com bom gosto e um senso de direção para onde as coisas estão se movendo”, explica.

A arte conceito de Black Sun

Dubstep como som físico

Em tempos de pós-Dubstep, Kode 9 lembra da sua cena com um certo pesar. “O Dubstep teve sua admiração pelo som físico. Uma das coisas positivas nele é que ele lembrou a importância do som alto, mas não dolorido. Talvez o maior legado do Dubstep tenha sido isso. Há algo poderoso nisso tudo”, lembra. Afinal, o Dubstep como conhecemos já morreu?

Brostep e fórmulas de produção

Kode 9 diz que não sabe muita coisa sobre o Dubstep nos EUA. “Está fora do meu radar, para ser honesto. Ouço histórias estranhas sobre amigos que tiveram de tocar em certos line-ups. Obviamente ouvi sobre o Brostep”, revela. “Fórmulas não são necessariamente ruins mas é interessante como elas surgem e se espalham. Se você não tomar cuidado, pode consumir demais e perder o interesse depois”, conclui.

Black Sun, Flying Lotus e os beatmakers de LA

Kode 9 diz que os beatmakers da Califórnia – Flying Lotus, principalmente – influenciaram bastante seu álbum. “Essa é a influência que essa coisa teve sobre mim: synths em sidechain, respirando com melodias coloridas, particularmente Samiyam e Flylo”, finaliza. Seria então Black Sun o sol cheio de vida de Los Angeles trazendo luz para o cinza espectral de Londres?

Kode 9 & Flying Lotus Live At Plastic People

Recorded live, April 2009

 

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8 comments
  1. Luis Otavio24.03.11

    O que Kode 9 fala é abaixar a cabeça e concordar. Mesmo não querendo tomar partido, o que ele falou do Brostep é o essencial mesmo para quem começa a ouvir através dos hits americanos. É legal, mas como é baseado em um padrão, em fórmula, conforme você vai se soterrando de som novo é muito fácil enjoar e depois sair falando “é tudo igual essa merda”. Tem que tomar cuidado e entender a raiz antes de idolatrar juvenis e afins.

  2. José Mariano de Souza25.03.11

    Bruno, parabéns. Relevância total! Sou fã.

  3. Obrigado Zé! Só com informação para combater a mediocridade e a estupidez mesmo!

  4. Renato Panfietti25.03.11

    Dubstep como som físico… Isso define bem demais o conceito de ouvir o estilo. Já o Brostep pelo que eu entendi precisa ter cuidados na hora de lapidá-lo para não cair na mesmice. Talvez ainda falta um “gênio”?

  5. Tenho a minha lista de “gênios” na nova Bass Culture… Burial, porque o moleque faz tudo aquilo numa simplicidade muito particular… Boxcutter, porque poucos conseguem se expressar musicalmente como ele… Skream, porque ele faz o que tem que fazer e faz bem feito… Apenas para citar esses três…

  6. Rafael Oliveira Guirao03.04.11

    Brostep foge totalmente daquele espectro sombrio que nos foi apresentado pelo Belluomini. Eu ainda sou daquele conceito que antigamente tudo era melhor. Aqueles samples tirados do Atari e do Super Nintendo. Gênio no Brostep acredito que não. Eu particularmente gosto de sons que poucas pessoas gostam. Sou “anti-modinha” e o Dubstep foi um diferencial que eu encontrei. Acredito que pelo menos aqui ele deveria continuar como era antes e não “ADERIR AO SISTEMA” ou seja “VAMOS TOCAR O QUE ELES GOSTAM DE OUVIR”.

  7. Marcelo França06.04.11

    Parabéns pela matéria Bruno. E esse live do Kode 9 & Flying Lotus está excelente. Nunca tinha ouvido. Essa segunda musica por acaso é produça do Mohawke? Respeito man! Abraço.

  8. Obrigado Marcelo! É isso mesmo… Depois do Rustie vem o som do Hud Mo…

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